Hemobrás reforça importância da produção nacional em ação pelo Dia Mundial da Hemofilia

14 de abril de 2026

Uma viagem de São Paulo a Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, ficará marcada na memória de Rute de Oliveira e do pequeno Isaque, de 8 anos, para sempre. Mãe e filho cruzaram o país e, nessa segunda-feira (13), se uniram a um grupo de pessoas vindas de diversas regiões brasileiras, para a Ação de Participação Social promovida pela Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás). Além de marcar antecipadamente o Dia Mundial da Hemofilia (17 de abril), o encontro permitiu a pacientes e familiares uma imersão no complexo industrial que hoje projeta o Brasil para o seleto time de países que se aproxima da soberania na produção de medicamentos.

Para quem convive diariamente com a doença, conhecer de perto a estrutura da Hemobrás carrega um significado especial, representando a segurança de um fluxo de tratamento que revolucionou a saúde pública na última década. Desde 2012, a estatal atua como um elo estratégico ao garantir o fornecimento de hemoderivados e biotecnológicos ao Sistema Único de Saúde (SUS).

É essa garantia de abastecimento e o horizonte da produção nacional que permitem que crianças como Isaque cresçam com autonomia, protegidas de sangramentos espontâneos e danos articulares que antes causavam limitações físicas permanentes.

Essa estrutura de suporte baseia-se na distribuição constante de medicamentos como o Fator VIII de coagulação, usado no tratamento da hemofilia A, em suas versões plasmática e recombinante (produzido por biotecnologia). Ao garantir que o SUS disponha de medicamentos essenciais para o tratamento profilático da hemofilia, a empresa funciona como um escudo logístico e tecnológico, estabilizando a saúde do paciente e permitindo que ele mantenha uma rotina ativa.

MAIS QUALIDADE DE VIDA

João Batista, que veio do Amazonas participar do encontro no complexo da Hemobrás, tem 48 anos, sofre de hemofilia grave e simboliza bem a importância do acesso mais fácil ao medicamento. Ele viveu outros tempos, quando o tratamento profilático ainda não era uma realidade no país. “A evolução do tratamento é maravilhosa, junto com essas fábricas da Hemobrás, com alta tecnologia , e que suprem a nossa demanda. Isso traz esperança, uma qualidade de vida. O SUS nos proporciona essa esperança, resgata a dignidade, com menos custos e mais benefícios”, declarou, após conhecer como funciona a engrenagem da mais moderna fábrica de hemoderivados e biotecnologia da América Latina.

Para Francisco Marcelino, presidente da Associação dos Hemofílicos do Estado do Ceará e diretor administrativo da Federação Brasileira de Hemofilia, a Hemobrás significa “um marco histórico na produção de medicamentos e no desenvolvimento de tecnologia que vai fazer o país ser autossuficiente na produção de medicamentos para pessoas com algum transtorno no nível de coagulação do sangue”.

Já a presidente da Associação de Hemofílicos de Santa Catarina, Taiara Alves, não tem a doença, mas luta diariamente para que o filho Lorenzo, de 8 anos (que usa o recombinante todos os dias), tenha a melhor qualidade de vida possível. “É o primeiro caso da família. Eu entrei nessa luta por ele. Participando dessa visita, conhecendo os processos da Hemobrás, isso nos dá mais segurança. A gente consegue transmitir isso para outras pessoas. É uma alegria enorme participar desse encontro”, destacou ela.

Um sentimento compartilhado também por Tássia Spinelli, do Recife, pelos irmãos Francisco Filho e Raimundo Carlos, de Mossoró (RN), e por Joana Brauer, representante da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia ( ABRAPHEM), que também participaram da visita.

BOAS NOVAS

Além de conhecer de perto a Hemobrás, os convidados tiveram acesso a informações importantes. Ficaram sabendo, por exemplo, que a empresa bateu recorde na captação de plasma em 2025. Que na fábrica de Recombinantes (onde os medicamentos são produzidos por meio da engenharia genética), a estatal conquistou, também em 2025, o Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF), obtido após inspeção da Anvisa. Isso significa que a empresa assumiu o processo de embalagem do Hemo-8r, medicamento tão importante para eles. E mais: que em julho será demandada mais uma inspeção da Anvisa, agora para a Hemobrás poder realizar o envase, uma nova etapa no seu processo fabril.

O pequeno Isaque gostou tanto do que viu e ouviu que fez uma proposta inusitada à mãe dele: “Por que a gente não vem morar aqui?”. Uma das boas lembranças que o grupo vai levar na bagagem desse momento de convivência, conhecimento e esperança.

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Comentários (1)

  1. Sarah
    14/04/2026 Responder

    Parabéns pela ação e pelo registro de tanto amor envolvido por esta causa.

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Imunoglobulina

São proteínas produzidas pelos linfócitos B, tipo específico de leucócito (célula sanguínea) cuja função é reconhecer, neutralizar e marcar os antígenos para que estes sejam eliminados ou fagocitados pelos macrófagos. Ou seja, age como mecanismo de defesa do organismo contra infecções e agressões externas. 

Indicação – no âmbito terapêutico, é usada principalmente em pessoas com doenças neurológicas, deficiências imunológicas, doenças autoimunes e infecciosas, aids, púrpura, entre outras e no transplante de medula óssea. 

Fator de von Willebrand

É um fator pró-coagulante que circula no plasma sanguíneo. Ele aumenta a adesão de plaquetas ao endotélio lesado e, ao se ligar ao fator VIII, mantém adequados seus níveis plasmáticos. A deficiência quanti ou qualitativa desse fator caracteriza a doença que traz o nome do médico finlandês Erik Adolf von Willebrand, que a descreveu pela primeira vez em 1925. 

Indicação – portadores da coagulopatia de von Willebrand, vinculada a mutação no cromossomo 12, que se manifesta basicamente pela disfunção plaquetária associada à diminuição dos níveis séricos do fator VIII coagulante, existindo também casos raros de forma adquirida da doença. Essa é a doença hemorrágica mais comum e atinge cerca de 2% da população mundial. Ambos os sexos são afetados e os sintomas incluem sangramentos nas gengivas, menstruais prolongados, sangramentos excessivos após pequenos cortes, extração dentária e outras cirurgias.  

Fator IX

O Fator IX é uma das principais proteínas do sistema de coagulação e encontra-se deficiente em pessoas com hemofilia B. 

Indicação – pacientes com hemofilia B, doença genética cujos sintomas são semelhantes aos da hemofilia A.

Fator VIII

O Fator VIII plasmático é uma das proteínas essenciais do sistema de coagulação sanguínea e sua falta causa a hemofilia A, chamada de hemofilia clássica, doença genética ligada ao sexo.  

Indicação – usado no tratamento das pessoas com hemofilia A, doença caracterizada por hemorragias nas articulações, músculos, trato digestivo e cérebro. Como a doença é ligada ao cromossomo X, um homem (XY) com um gene anormal no seu cromossomo X terá hemofilia. No caso da mulher (XX), ela só apresenta a doença, se os dois cromossomos X estiverem afetados, o que é muito raro. Quando um só é atingido, ela poderá passar o gene ao seu filho. A incidência estimada da doença é de 1 para 5mil homens e 1 para cada 25 milhões de mulheres. O Fator VIII plasmático tem a mesma função do Hemo-8r (nosso fator VIII recombinante): combater sangramentos e realizar o tratamento profilático de pacientes com hemofilia A. A reposição do fator VIII restaura a hemostasia nesses pacientes. 

Entregas

Entregas em 2022: 82.981 frascos. 

Atualizado em 24/08/2022.

Albumina

Albumina humana é a principal proteína encontrada no plasma sangue. Sua síntese ocorre no fígado, pelos hepatócitos. Exerce papel fundamental na manutenção da pressão osmótica, distribuindo os líquidos corporais nos espaços intra e extravascular. 

Indicação – é usada no tratamento de grandes queimados ou de pessoas com hemorragias graves, cirrose, insuficiência renal, septicemias, e ainda em transplantes de fígado e cirurgias cardíacas. 

Hemo-8r
(Fator VIII recombinante)

O Hemo-8r é o nosso Fator VIII recombinante. Ele é o nosso primeiro produto registrado e distribuído com a nossa marca. O Hemo-8r é fundamental para a nova fase do tratamento da Hemofilia A no Brasil com a ampliação da profilaxia, que é a maneira mais eficaz para prevenir os sangramentos espontâneos e sequelas nas pessoas portadoras da coagulopatia.

Possui a mesma eficácia do Fator VIII plasmático, mas não depende das doações de sangue para ser produzido, o que vai permitir que a maioria das pessoas portadoras de Hemofilia A possam fazer o tratamento profilático no futuro.

Recombinantes

Medicamentos recombinantes são produzidos por engenharia genética através do uso da “tecnologia de DNA recombinante”. Nessa técnica, um gene responsável pela síntese de uma proteína específica, é inserido numa célula que será responsável pela expressão da mesma. Essa célula modificada se reproduz num meio com nutrientes e expressa uma grande quantidade da proteína. O produto final é obtido após a purificação da proteína e utilização na fabricação do medicamento.

Atualmente, temos um processo de transferência de tecnologia de medicamento recombinante com o laboratório Takeda, para a produção do Hemo-8r, o Fator VIII recombinante.

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