Uma viagem de São Paulo a Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, ficará marcada na memória de Rute de Oliveira e do pequeno Isaque, de 8 anos, para sempre. Mãe e filho cruzaram o país e, nessa segunda-feira (13), se uniram a um grupo de pessoas vindas de diversas regiões brasileiras, para a Ação de Participação Social promovida pela Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás). Além de marcar antecipadamente o Dia Mundial da Hemofilia (17 de abril), o encontro permitiu a pacientes e familiares uma imersão no complexo industrial que hoje projeta o Brasil para o seleto time de países que se aproxima da soberania na produção de medicamentos.

Para quem convive diariamente com a doença, conhecer de perto a estrutura da Hemobrás carrega um significado especial, representando a segurança de um fluxo de tratamento que revolucionou a saúde pública na última década. Desde 2012, a estatal atua como um elo estratégico ao garantir o fornecimento de hemoderivados e biotecnológicos ao Sistema Único de Saúde (SUS).
É essa garantia de abastecimento e o horizonte da produção nacional que permitem que crianças como Isaque cresçam com autonomia, protegidas de sangramentos espontâneos e danos articulares que antes causavam limitações físicas permanentes.
Essa estrutura de suporte baseia-se na distribuição constante de medicamentos como o Fator VIII de coagulação, usado no tratamento da hemofilia A, em suas versões plasmática e recombinante (produzido por biotecnologia). Ao garantir que o SUS disponha de medicamentos essenciais para o tratamento profilático da hemofilia, a empresa funciona como um escudo logístico e tecnológico, estabilizando a saúde do paciente e permitindo que ele mantenha uma rotina ativa.
MAIS QUALIDADE DE VIDA
João Batista, que veio do Amazonas participar do encontro no complexo da Hemobrás, tem 48 anos, sofre de hemofilia grave e simboliza bem a importância do acesso mais fácil ao medicamento. Ele viveu outros tempos, quando o tratamento profilático ainda não era uma realidade no país. “A evolução do tratamento é maravilhosa, junto com essas fábricas da Hemobrás, com alta tecnologia , e que suprem a nossa demanda. Isso traz esperança, uma qualidade de vida. O SUS nos proporciona essa esperança, resgata a dignidade, com menos custos e mais benefícios”, declarou, após conhecer como funciona a engrenagem da mais moderna fábrica de hemoderivados e biotecnologia da América Latina.
Para Francisco Marcelino, presidente da Associação dos Hemofílicos do Estado do Ceará e diretor administrativo da Federação Brasileira de Hemofilia, a Hemobrás significa “um marco histórico na produção de medicamentos e no desenvolvimento de tecnologia que vai fazer o país ser autossuficiente na produção de medicamentos para pessoas com algum transtorno no nível de coagulação do sangue”.
Já a presidente da Associação de Hemofílicos de Santa Catarina, Taiara Alves, não tem a doença, mas luta diariamente para que o filho Lorenzo, de 8 anos (que usa o recombinante todos os dias), tenha a melhor qualidade de vida possível. “É o primeiro caso da família. Eu entrei nessa luta por ele. Participando dessa visita, conhecendo os processos da Hemobrás, isso nos dá mais segurança. A gente consegue transmitir isso para outras pessoas. É uma alegria enorme participar desse encontro”, destacou ela.
Um sentimento compartilhado também por Tássia Spinelli, do Recife, pelos irmãos Francisco Filho e Raimundo Carlos, de Mossoró (RN), e por Joana Brauer, representante da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia ( ABRAPHEM), que também participaram da visita.
BOAS NOVAS
Além de conhecer de perto a Hemobrás, os convidados tiveram acesso a informações importantes. Ficaram sabendo, por exemplo, que a empresa bateu recorde na captação de plasma em 2025. Que na fábrica de Recombinantes (onde os medicamentos são produzidos por meio da engenharia genética), a estatal conquistou, também em 2025, o Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF), obtido após inspeção da Anvisa. Isso significa que a empresa assumiu o processo de embalagem do Hemo-8r, medicamento tão importante para eles. E mais: que em julho será demandada mais uma inspeção da Anvisa, agora para a Hemobrás poder realizar o envase, uma nova etapa no seu processo fabril.
O pequeno Isaque gostou tanto do que viu e ouviu que fez uma proposta inusitada à mãe dele: “Por que a gente não vem morar aqui?”. Uma das boas lembranças que o grupo vai levar na bagagem desse momento de convivência, conhecimento e esperança.






Comentários (1)
Sarah
14/04/2026Parabéns pela ação e pelo registro de tanto amor envolvido por esta causa.