Hemobrás fortalece soberania da saúde com inauguração da fábrica de hemoderivados

15 de agosto de 2025

A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia – Hemobrás dá um passo importante rumo à autossuficiência na produção de medicamentos essenciais para o Sistema Único de Saúde (SUS) com a inauguração da fábrica de medicamentos hemoderivados. A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades, entre elas, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e aconteceu no parque fabril de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, nessa quinta-feira (14.08).

A nova planta fabril da Hemobrás é resultado de um investimento de R$ 1,9 bilhão e vai produzir medicamentos a partir do plasma humano, um dos componentes do sangue coletado nas doações voluntárias realizadas em todo o País. Inicialmente, a Hemobrás continuará abastecendo o SUS com a Albumina, a Imunoglobulina e os fatores de coagulação VIII e IX. Esses medicamentos já são entregues desde 2012, juntamente com o Fator de Coagulação VIII recombinante (produzido por biotecnologia, sem a necessidade do plasma), a partir dos contratos de transferência de tecnologia firmados pela Hemobrás. Em 2024, a empresa bateu o recorde no abastecimento dos produtos ao SUS, com 552 mil frascos de hemoderivados e 870 milhões de Unidades Internacionais (UIs) de recombinantes entregues. Com a nova fábrica, a empresa assume, paulatinamente, a produção 100% nacional e também terá condições de incorporar os medicamentos Fator de von Willebrand e Complexo Protrombínico.

“Os hemoderivados são medicamentos essenciais e que são usados em diversos tratamentos, como o atendimento a queimados graves, pacientes de UTIs, cirurgias de grande porte, em condições como a hemofilia A e B e em doenças raras como a Síndrome de Guillain-Barré, púrpura e lúpus, entre outras. São medicamentos de alto custo, que a população brasileira tem acesso gratuito através do SUS, a partir de uma tecnologia de produção que poucos países no mundo dominam e que está a serviço do Brasil, promovendo a soberania do nosso país nesse setor estratégico que é a Saúde”, comentou a presidente da Hemobrás, Ana Paula Menezes.

Com a inauguração dos blocos B02 (fracionamento do plasma) e B03 (envase e liofilização) e a entrega dos equipamentos, a nova fábrica dá início à qualificação de processos, uma obrigatoriedade do exigente setor farmacêutico. A expectativa é que já no próximo ano a empresa comece a fracionar o plasma, processo onde são obtidas as proteínas que servem de matéria-prima e que, após serem refinadas, se transformam nos medicamentos. Ano após ano, de forma escalonada, a Hemobrás irá ampliando o volume de plasma fracionado e a quantidade de medicamentos produzidos. A previsão é de que em quatro anos a empresa atinja a capacidade de 500 mil litros/ano de plasma fracionado e produza seis medicamentos.

Atualmente, a Hemobrás recolhe o plasma excedente de 72 hemocentros públicos e serviços de hemoterapia privados de todas as regiões do país. Esse plasma é enviado para o Complexo Industrial da empresa, em Goiana, onde passa pela triagem e armazenamento em câmera fria, no bloco B01. No ano passado, a Hemobrás conseguiu captar 200,2 mil litros de plasma, a maior marca da história da empresa. “Nossa parceria com a hemorrede é constante, pois o universo de plasma excedente a ser coletado no Brasil é bem maior, de 600 mil litros. Há melhorias que necessitam ser feitas nos hemocentros públicos, algo que o Ministério da Saúde tem cuidado, com um investimento de R$ 100 milhões do Novo PAC. E estamos tentando sensibilizar os bancos de sangue privados, que não permitem que a Hemobrás colete o plasma doado pela população”, explicou Ana Paula Menezes.

Entenda como é o processo de coleta do plasma
Os medicamentos hemoderivados são aqueles produzidos a partir do plasma humano captado nas doações de sangue voluntárias e altruísta realizadas em todas as regiões do Brasil. Após uma doação, o sangue passa por um processo de separação de seus componentes nos hemocentros públicos e serviços de hemoterapia privados. Plaquetas, hemácias e apenas 30% do plasma são utilizados em transfusões. O restante do plasma, chamado de excedente, é congelado dentro dos padrões da indústria farmacêutica e fica sob responsabilidade da Hemobrás, para produção dos hemoderivados.

Fábrica de biotecnologia já está em fase de produção nacional
Inaugurada em abril do ano passado, a Fábrica de Medicamentos Produzidos por Biotecnologia, localizada no bloco B07 do Complexo Industrial da Hemobrás, comemorou esta semana o fechamento do primeiro lote do Hemo-8r (Fator de Coagulação VIII recombinante) embalado em Goiana. Após passar por todas as fases de qualificação de equipamentos e processos, a planta recebeu uma inspeção da Anvisa no mês de julho e recebeu o certificado de Boas Práticas de Fabricação, estando apta a realizar esta que é a primeira das três etapas de produção nacional. Até o final deste ano, a Hemobrás dará início à segunda etapa, envasando o primeiro lote de medicamentos. E até o final de 2026, fecha a última etapa, com a fabricação do IFA (insumo farmacêutico ativo).

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Imunoglobulina

São proteínas produzidas pelos linfócitos B, tipo específico de leucócito (célula sanguínea) cuja função é reconhecer, neutralizar e marcar os antígenos para que estes sejam eliminados ou fagocitados pelos macrófagos. Ou seja, age como mecanismo de defesa do organismo contra infecções e agressões externas. 

Indicação – no âmbito terapêutico, é usada principalmente em pessoas com doenças neurológicas, deficiências imunológicas, doenças autoimunes e infecciosas, aids, púrpura, entre outras e no transplante de medula óssea. 

Fator de von Willebrand

É um fator pró-coagulante que circula no plasma sanguíneo. Ele aumenta a adesão de plaquetas ao endotélio lesado e, ao se ligar ao fator VIII, mantém adequados seus níveis plasmáticos. A deficiência quanti ou qualitativa desse fator caracteriza a doença que traz o nome do médico finlandês Erik Adolf von Willebrand, que a descreveu pela primeira vez em 1925. 

Indicação – portadores da coagulopatia de von Willebrand, vinculada a mutação no cromossomo 12, que se manifesta basicamente pela disfunção plaquetária associada à diminuição dos níveis séricos do fator VIII coagulante, existindo também casos raros de forma adquirida da doença. Essa é a doença hemorrágica mais comum e atinge cerca de 2% da população mundial. Ambos os sexos são afetados e os sintomas incluem sangramentos nas gengivas, menstruais prolongados, sangramentos excessivos após pequenos cortes, extração dentária e outras cirurgias.  

Fator IX

O Fator IX é uma das principais proteínas do sistema de coagulação e encontra-se deficiente em pessoas com hemofilia B. 

Indicação – pacientes com hemofilia B, doença genética cujos sintomas são semelhantes aos da hemofilia A.

Fator VIII

O Fator VIII plasmático é uma das proteínas essenciais do sistema de coagulação sanguínea e sua falta causa a hemofilia A, chamada de hemofilia clássica, doença genética ligada ao sexo.  

Indicação – usado no tratamento das pessoas com hemofilia A, doença caracterizada por hemorragias nas articulações, músculos, trato digestivo e cérebro. Como a doença é ligada ao cromossomo X, um homem (XY) com um gene anormal no seu cromossomo X terá hemofilia. No caso da mulher (XX), ela só apresenta a doença, se os dois cromossomos X estiverem afetados, o que é muito raro. Quando um só é atingido, ela poderá passar o gene ao seu filho. A incidência estimada da doença é de 1 para 5mil homens e 1 para cada 25 milhões de mulheres. O Fator VIII plasmático tem a mesma função do Hemo-8r (nosso fator VIII recombinante): combater sangramentos e realizar o tratamento profilático de pacientes com hemofilia A. A reposição do fator VIII restaura a hemostasia nesses pacientes. 

Entregas

Entregas em 2022: 82.981 frascos. 

Atualizado em 24/08/2022.

Albumina

Albumina humana é a principal proteína encontrada no plasma sangue. Sua síntese ocorre no fígado, pelos hepatócitos. Exerce papel fundamental na manutenção da pressão osmótica, distribuindo os líquidos corporais nos espaços intra e extravascular. 

Indicação – é usada no tratamento de grandes queimados ou de pessoas com hemorragias graves, cirrose, insuficiência renal, septicemias, e ainda em transplantes de fígado e cirurgias cardíacas. 

Hemo-8r
(Fator VIII recombinante)

O Hemo-8r é o nosso Fator VIII recombinante. Ele é o nosso primeiro produto registrado e distribuído com a nossa marca. O Hemo-8r é fundamental para a nova fase do tratamento da Hemofilia A no Brasil com a ampliação da profilaxia, que é a maneira mais eficaz para prevenir os sangramentos espontâneos e sequelas nas pessoas portadoras da coagulopatia.

Possui a mesma eficácia do Fator VIII plasmático, mas não depende das doações de sangue para ser produzido, o que vai permitir que a maioria das pessoas portadoras de Hemofilia A possam fazer o tratamento profilático no futuro.

Recombinantes

Medicamentos recombinantes são produzidos por engenharia genética através do uso da “tecnologia de DNA recombinante”. Nessa técnica, um gene responsável pela síntese de uma proteína específica, é inserido numa célula que será responsável pela expressão da mesma. Essa célula modificada se reproduz num meio com nutrientes e expressa uma grande quantidade da proteína. O produto final é obtido após a purificação da proteína e utilização na fabricação do medicamento.

Atualmente, temos um processo de transferência de tecnologia de medicamento recombinante com o laboratório Takeda, para a produção do Hemo-8r, o Fator VIII recombinante.