A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia – Hemobrás dá um passo importante rumo à autossuficiência na produção de medicamentos essenciais para o Sistema Único de Saúde (SUS) com a inauguração da fábrica de medicamentos hemoderivados. A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades, entre elas, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e aconteceu no parque fabril de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, nessa quinta-feira (14.08).
A nova planta fabril da Hemobrás é resultado de um investimento de R$ 1,9 bilhão e vai produzir medicamentos a partir do plasma humano, um dos componentes do sangue coletado nas doações voluntárias realizadas em todo o País. Inicialmente, a Hemobrás continuará abastecendo o SUS com a Albumina, a Imunoglobulina e os fatores de coagulação VIII e IX. Esses medicamentos já são entregues desde 2012, juntamente com o Fator de Coagulação VIII recombinante (produzido por biotecnologia, sem a necessidade do plasma), a partir dos contratos de transferência de tecnologia firmados pela Hemobrás. Em 2024, a empresa bateu o recorde no abastecimento dos produtos ao SUS, com 552 mil frascos de hemoderivados e 870 milhões de Unidades Internacionais (UIs) de recombinantes entregues. Com a nova fábrica, a empresa assume, paulatinamente, a produção 100% nacional e também terá condições de incorporar os medicamentos Fator de von Willebrand e Complexo Protrombínico.
“Os hemoderivados são medicamentos essenciais e que são usados em diversos tratamentos, como o atendimento a queimados graves, pacientes de UTIs, cirurgias de grande porte, em condições como a hemofilia A e B e em doenças raras como a Síndrome de Guillain-Barré, púrpura e lúpus, entre outras. São medicamentos de alto custo, que a população brasileira tem acesso gratuito através do SUS, a partir de uma tecnologia de produção que poucos países no mundo dominam e que está a serviço do Brasil, promovendo a soberania do nosso país nesse setor estratégico que é a Saúde”, comentou a presidente da Hemobrás, Ana Paula Menezes.
Com a inauguração dos blocos B02 (fracionamento do plasma) e B03 (envase e liofilização) e a entrega dos equipamentos, a nova fábrica dá início à qualificação de processos, uma obrigatoriedade do exigente setor farmacêutico. A expectativa é que já no próximo ano a empresa comece a fracionar o plasma, processo onde são obtidas as proteínas que servem de matéria-prima e que, após serem refinadas, se transformam nos medicamentos. Ano após ano, de forma escalonada, a Hemobrás irá ampliando o volume de plasma fracionado e a quantidade de medicamentos produzidos. A previsão é de que em quatro anos a empresa atinja a capacidade de 500 mil litros/ano de plasma fracionado e produza seis medicamentos.
Atualmente, a Hemobrás recolhe o plasma excedente de 72 hemocentros públicos e serviços de hemoterapia privados de todas as regiões do país. Esse plasma é enviado para o Complexo Industrial da empresa, em Goiana, onde passa pela triagem e armazenamento em câmera fria, no bloco B01. No ano passado, a Hemobrás conseguiu captar 200,2 mil litros de plasma, a maior marca da história da empresa. “Nossa parceria com a hemorrede é constante, pois o universo de plasma excedente a ser coletado no Brasil é bem maior, de 600 mil litros. Há melhorias que necessitam ser feitas nos hemocentros públicos, algo que o Ministério da Saúde tem cuidado, com um investimento de R$ 100 milhões do Novo PAC. E estamos tentando sensibilizar os bancos de sangue privados, que não permitem que a Hemobrás colete o plasma doado pela população”, explicou Ana Paula Menezes.
Entenda como é o processo de coleta do plasma
Os medicamentos hemoderivados são aqueles produzidos a partir do plasma humano captado nas doações de sangue voluntárias e altruísta realizadas em todas as regiões do Brasil. Após uma doação, o sangue passa por um processo de separação de seus componentes nos hemocentros públicos e serviços de hemoterapia privados. Plaquetas, hemácias e apenas 30% do plasma são utilizados em transfusões. O restante do plasma, chamado de excedente, é congelado dentro dos padrões da indústria farmacêutica e fica sob responsabilidade da Hemobrás, para produção dos hemoderivados.
Fábrica de biotecnologia já está em fase de produção nacional
Inaugurada em abril do ano passado, a Fábrica de Medicamentos Produzidos por Biotecnologia, localizada no bloco B07 do Complexo Industrial da Hemobrás, comemorou esta semana o fechamento do primeiro lote do Hemo-8r (Fator de Coagulação VIII recombinante) embalado em Goiana. Após passar por todas as fases de qualificação de equipamentos e processos, a planta recebeu uma inspeção da Anvisa no mês de julho e recebeu o certificado de Boas Práticas de Fabricação, estando apta a realizar esta que é a primeira das três etapas de produção nacional. Até o final deste ano, a Hemobrás dará início à segunda etapa, envasando o primeiro lote de medicamentos. E até o final de 2026, fecha a última etapa, com a fabricação do IFA (insumo farmacêutico ativo).








